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decordovanaturais

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21 Mar, 2013

A oração

 

O homem é um animal racional e social. Enquanto racional ele indaga qual a sua origem, qual o seu destino e qual a razão da sua existência. Enquanto social comunga com outros essas mesmas preocupações de modo a caminharem juntos nas respostas encontradas, criando assim as diversas culturas.

 

Quase na generalidade, os homens sentem a necessidade de encontrar um ser superior, simultaneamente resposta às suas questões intelectuais: criador, origem de tudo; tutor, companheiro e guia no modo como vive; destino ou meta de quem o procura.

 

É deste modo que o homem cria na sua imaginação e na sua consciência a necessidade de perceber a existência de Deus. Chame-se-lhe Javé, Alá, Manitu, Zeus, ou qualquer outra designação, o homem encontra razões mais que suficientes para se subalternizar perante esta entidade. Ora encontrando-A, é fácil querer relacionar-se com ela – adorando-A, tentando perceber a sua vontade, comunicando com os meios mais apropriados.

 

Este relacionamento varia assim de pessoa para pessoa, numa aprendizagem consuetudinária, podendo passar por celebrações tão diversas, na percepção de uma semelhança com este ser, e desejos de se encontrar com ele no final da sua peregrinação na terra.

 

Então surge a Oração – este acto de intimidade e confiança em Deus. Considerando-O superior, eterno, omnipotente e justo, verifica que para este relacionamento não são necessários sítios ou lugares especiais onde o procurar por estar em todo o lado, embora pressinta a necessidade de construir lugares sagrados onde Ele possa ‘residir’ pois da mesma forma como O quer imitar também pensa que possa ter necessidades iguais às do homem, como uma casa onde morar.

 

O Deus ‘construído’ pelo homem pode ser diferente conforme a cultura em que está inserido. Pode ser um deus castigador, justiceiro, longínquo, ou misericordioso, próximo, familiar, ou ainda um deus com prazeres e problemas semelhantes aos nossos.

 

O Deus que se apresenta a Abraão quer com ele fazer uma aliança. Promete-lhe uma descendência, uma terra e uma segurança. Através das gerações os pais ensinam aos filhos quem é este Deus e como manter este acordo;

 

Moisés encontra-O na sarça-ardente e aceita as suas instruções para libertar o povo que está escravo no Egipto, recebendo uma lei e comprometendo-se noutra aliança testemunhada pelo sangue do cordeiro;

 

Samuel escuta a Sua voz que o chama de noite e obedece-lhe ungindo a Saúl e a David;

 

Mas é em Jesus Cristo que podemos ver a Deus como Pai, como muito próximo de cada um de nós a quem quer como a um filho único. É este Jesus que nos ensina a orar nesta dimensão de confiança e de carinho.

 

Rezar é então um elevar da nossa alma ao Pai, num impulso de abertura interior e de amor por Ele; é um falar a sós, procurando a comunhão com o Pai criador…

 

Há momentos da vida que nos convidam especialmente à oração de uma forma muito íntima, quase em segredo, num ‘tête-à-tête’, desejando a confidencialidade própria dos namorados, mas também pode ser em grupo e alargada onde a nossa expressão de fé vivida em comunidade tem outro cariz, por ventura menos profundo mas também profético por encorajar o outro a rezar.

 

A oração pode ser repetitiva, formal, homogénea numa sociedade, dando um sentido de povo congregado; Pode ser de louvor, de petição, ou de sacrifício; mas a que é espontânea, pessoal e profunda é a que melhor reflete o mais puro sentimento humano do desejo de estar mais próximo de Deus.

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